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quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

51

Reduzi a menos de três quartos a lima que tenho no lugar do coração. Deu até agora para pouco mais que uma caipirinha, algo me diz, eu próprio o sei, que devia agora aproveitar esta última porção em algo mais que a espremidela, que o sabor imediato. Estou renitente. O amargo de boca que me deu antes destas revoluções paga agora aromatizando o inócuo, é que a cachaça por si vale nada ou pouco. Embebedo-me à custa do acre, do pobre acre. Perco-lhe o tino e as funções, conduz torpe por caminhos de ninguém, acima de tudo de ninguém, passeio o grau por lábios estéreis que o bebem, sugam ansiando mais que uma casca velha cujo gomo embolorado menos dá que uma réstia distantemente frutada, longinquamente aromático, paupérrimo mesmo nas memórias da árvore de onde foi colhido. Apodreceu por não ter sido usado a tempo, como tudo perecível e eu sem maneira de o conservar.
Um gomo de lima podre no meu peito (olha o que deixaste).