sexta-feira, 11 de junho de 2010

As verdades no vinho

Teresa. Fui sair com a Teresa. Conheci-a através de alguém que achou que éramos almas gémeas. A Teresa bebe vinho como se fosse água, fez-me reparar que o vinho passou a ser socialmente obrigatório, sobretudo entre as mulheres. No almoço fez pouco da minha escolha, Compal de pêra com uma pedra de gelo, ria-se frenética desde que fiz o pedido até ao empregado o ter pousado à minha frente, continuou a rir-se perante a minha cara de incredulidade e enquanto me desafiava a beber do copo dela. Elaborou teorias a favor do vinho, teorias contra homens que bebem sumo, teorias de benefícios ao coração, à sexualidade, à boa disposição, à memória, às papilas... tinha ali comigo uma pequena enciclopédia falante e chata, profundamente chata. Ninguém lhe explicou que as certezas absolutas se tornam profundamente passíveis de serem contrariadas, mais atractivas até, e lamentei por ela que não saísse daquele registo, do que a fez sorver uma garrafa sózinha e que para o fim lhe pesava as pálpebras e a deixava de cotovelos colados à mesa. Esqueceu-se de enumerar esse efeito do vinho, mas eu apreendi-o por exemplo, bem melhor que por citação.

11 comentários:

Silvia disse...

Tendo eu no meu passado um ex-marido alcoolico, lido muito mal com exageros desta natureza e assim que os detecto fujo a sete pés. Não consigo. Não o censuro, portanto.

Dora disse...

Ahahahaha. Tens a certeza que o nome dela era Teresa?

Anónimo disse...

Só um reparo. Não bebas compal com pedra de gelo...pede antes compal gelado, porque a agua do gelo, não sabes de onde vem. Esse sim, seria o meu reparo ao pedido da tua bebida.

Quanto ao resto, se tivesse sido eu, teria ído embora. Mas como gentleman, fizeste bem, ficaste.

Alexandra

Daniel Monferrato disse...

Quem não teve já um encontro com uma mulher chata? Pareceu-me ter sido frutífero: até tiraste umas conclusões e rendeu um post!

Cirrus disse...

Mais um efeito Sexo e a Cidade...

Anónimo disse...

E' lamentavel que haja demasiada gente chata a fazer o que acha que lhe e' imposto pela sociedade. Homens e mulheres, a diversos niveis. A fazerem de conta que sao o que nao sao.
Clementina

Carla disse...

ADORO-TE

Destination disse...

Engraçado encontrar alguém que não beba vinho e prefira sumos à refeição. Raro, tão raro que eu tive de aprender a beber "socialmente" porque ficava mal ser a única de uma mesa de gente a dizer "não, obrigada,não bebo". Faziam-se sentir uma inadaptada! Como não tenho uma personalidade assim tão forte que resista a algumas dessas malévolas accções e "pressões do grupo" e como afinal o pecado tb não é assim tão grande,agora bebo...socialmente! Até fica mais chic, vejam só!

Filipa disse...

Homem interessante, sim senhor!
Os "trintas" dão esta inebriante segurança aos rapazes... que os leva a escrever assim, tão despreocupados com o que se possa pensar.

june disse...

Eu sou uma grande apreciadora de vinhos, mas não por ser uma bebida social, até tenho preferencia em beber um copo de vinho sozinha com uma músiquinha de fundo..
Mas nunca iria criticar alguém por ter outros gostos e outras escolhas, pois nem gosto do bom gosto, na vida faz sentido aceitarmos as diferenças de cada um...
E brindo ao gosto de cada um...

Miss Shag well disse...

Ahahahahah! (Ainda bem que sou chata mas gosto de coca-cola. Kkkkkk)


Beijos