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quinta-feira, 12 de março de 2009

O jantar de ontem

Ela: camisola roxa com barras pretas, jeans, saltos vertiginosos. Cheiro de verniz recente e perfume a bolsar para fora das mangas a cada passo. Cabelo vindo do secador, maquilhagem presente e risinhos exagerados por tudo e por nada. Jantou como quem não tinha fome bebeu como quem tinha muita sede, cerveja. Rejeitou a sobremesa continuou com sede para ir beber um copo. Anuí, levei-a a um bar calmo. Pôs-me a mão na perna enquanto conduzia para me chamar a atenção de uma estátua numa rotunda. Previsível, sem grandes temas de conversa. Pouco fascinante embora muito convencida. Voz branda mas forçada numa mulher pouco doce e irada com a vida. Muito camuflado, disposta a entrar em guerra por tudo e nada. Disse que estava a lêr uma trilogia muito romântica e que adorava romances. E música que adorava música calma. Olhei duas vezes enquanto pensava se me teria enganado na imagem que fiz à priori. Não estava, passou uma rapariga por nós, quase adolescente que lhe tocou no cotovelo fazendo a desiquilibrar um pouco o copo. Gritou um "Então?!" já de pés em posição de combate e mãos dispostas a agir. Retomou a pose de farsa perante um "desculpe" intimidado.
Já me enviou duas mensagens hoje, uma a dizer "bom dia, a noite de ontem foi espectacular, beijo Rita" e outra a fingir que se tinha enganado e a chamar-me Ana. Não tenciono responder, odiei tudo.