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terça-feira, 1 de junho de 2010

Nem a cola mais forte pode refazer o que a dada altura se quebrou

Estou de directa, esta noite não dormi. Não seria grave não dormir pudesse abdicar dos pensamentos que me invadem noite fora, se não ficasse horas a olhar para a chávena de leite que perdeu numa noite de tempestade emocional a sua parceira, a que dizia "amor", parti essa e fiquei com a que diz "eterno". Faz sentido, na minha lógica o eterno. Eterno destroçado, eterno apaixonado, eterno amargurado. Se tivesse ficado intacta a outra, já não havia correspondência possível, só se fosse em amor perdido, amor esgotado, amor-zero, antes assim. Estas chávenas comprou-as ela à falta de variedade no meu pequeno armário em que constam copos, canecas e frascos de compota que nunca uso, mas nada que pudesse acompanhar um pequeno-almoço ou um filme a dois. Fiquei feliz quando as juntei e li "amor eterno", ganhei a mania de as arrumar juntinhas como se só assim fizessem sentido, mesmo quando as deixava a escorrer depois de lavadas, permaneciam juntas. Como se ela fosse uma e eu a outra, sempre juntos. Mas veio o dia em que não me entendia, em que as palavras que me saiam da boca eram serpentes atiçadas, em que o coração mirrou e sumiu e acho que uma rocha tomou o seu lugar... nesse dia, a partir do qual soube que seria sempre a perder, entreguei à parede uma das testemunhas de quão doces eram os seus lábios. Quase ia a outra mas o choque perante os cacos foi maior. Ali fiquei imóvel a vê-los e a pensar que nunca mais as minhas chávenas fariam uma expressão juntas, apenas uma palavra solta e desconexa.
Cacos, ficou tudo bem explicado pelos cacos. A minha vida, sobretudo.