domingo, 15 de novembro de 2009

Nós fomos assim

(que nem crianças ansiosas pela novidade de um presente, rasgando papel, desprezando laços, ignorando instruções, verificando que, afinal, já possuíramos algo parecido, reparando que o ideal seria qualquer outra coisa, tão inútil, que o tempo urgia noutras infinitas surpresas também elas embrulhadas e possíveis de serem rasgadas, desprezadas, inutilizadas por entre barulhos de falsa gratidão e prazer exagerado, por entre expressões estudadas e palavras costumeiras, realizando beijos e abraços nos intervalos, ocupando o corpo e entretendo o ego, atendendo aos apelos do agora olvidando os próximos, apagando emoções áureas de presentes passados, de alegrias já vividas: desembrulhámo-nos, brincámos e deitámo-nos fora.)

...e nem podíamos ter sido mais.

6 comentários:

Calendas disse...

Que tristeza e desencanto encontro nessas palavras. Ontem li quase o blog todo e a cada post se ia clarificando uma ideia: este gajo está triste, desencantado e à procura do que já teve e, se calhar, na altura não percebeu que tinha. Também pode dar-se o seguinte: este gajo sabe escrever e sabe escrever sobre sentimentos que inventa. Das duas três e venha o diabo e escolha.

Malena disse...

Quantas vezes a voracidade do presente compromete a tranquilidade futura!

Marylin disse...

Sábias palavras.
Sábias palavras mesmo.

@tt disse...

Quiçá, a dois, o tal 'mais' fosse inexistente.





=))

ursinha disse...

Perfeito.
Bjs de mel
ursinha

Anónimo disse...

Lindo. Trsite, mas real e lindo.