terça-feira, 31 de março de 2009

Para mim

Não é difícil deitar-me e ter sexo com uma mulher.
Não é difícil ser carinhoso com ela, dar-lhe a mão.
Não é nada difícil tentar agradar-lhe, surpreendê-la, ser o tal.
Quando há carinho, nada nestas vivências são difíceis.
O difícil é que passem de uma mera facilidade a realidade. Que passem a amor sem dificuldade. Isso sim é difícil. Impossível, parece-me. (Não parece, tenho a certeza.)


Eu ainda acredito e ainda espero por "ela"... quando tenho frio e me aninho nos cobertores é como se me enroscasse nela, mas falo nisto mais tarde. Não posso deixar o meu dia iniciar com tanta saudade, não posso. Não devo. É uma adrenalina que me faz subir e cair em menos de nada. Como se saltasse de telhado em telhado e o pé escorregasse numa telha valendo-se do outro para se apoiar e, naquele segundo de esperança, pensar que mantenho o corpo salvo, mas, a ilusão dura pouco e após bater e rasgar o queixo na telha lascada, o baque desamparado na calçada. Sangue e dôr e a sensação de quase ter conseguido. A sensação de ter voado embora agora esteja lúcido de que as minhas asas queimaram por poderem voar alto demais.

3 comentários:

provocação disse...

Tantos que fazem o mesmo que tu. Vidas inteiras a fingir, mas quando não se pode ter quem se quer, não sobram muitas hipóteses, ou isso ou a solidão.

Marta disse...

Olá,
Devo dizer que este seu desabafo está muito interessante. Quantas pessoas vivem rodeadas de muitas pessoas mas a "tal" não surge no meio das mesmas...


Continuação.

DESIRE disse...

O medo de voar alto e cair...é o mais comum dos medos!
Beijos prometidos